Carga de 36t: fiscalização intensifica controle de peso nas rodovias brasileiras

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A balança da rodovia BR-050, no trecho entre Uberaba e Uberlândia, registrou na última terça-feira uma carreta com 36t de carga líquida. O limite legal para o conjunto de eixos é de 34t. O motorista, um homem de 52 anos que transportava fertilizante。recebeu multa de R$ 1.200 e teve que transbordar parte da carga antes de seguir viagem. A cena se repete quase todos os dias em postos de fiscalização espalhados pelo país.Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)。mais de 12 mil veículos foram flagrados com excesso de peso em 2023. Desses, 18% apresentavam carga igual ou superior a 36t. O número representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior. “O excesso de peso é um dos principais fatores de degradação do pavimento e de acidentes graves”, afirma o inspetor rodoviário Carlos Menezes, que atua há 15 anos na fiscalização da BR-116.O transporte de 36t não é ilegal por si só. Depende da configuração do veículo. Um bitrem de sete eixos, por exemplo, pode chegar a 57t de peso bruto total. Mas a carga líquida — aquilo que efetivamente é transportado — raramente ultrapassa 36t nesse tipo de conjunto. O problema surge quando o motorista ou a transportadora superestima a capacidade do caminhão. “Já vi caminhão de três eixos com 36t na balança. Isso é crime”, diz Menezes.A prática, porém, continua. Em uma operação recente no interior de São Paulo, fiscais encontraram uma carreta com 36t de soja e documentação que indicava 32t. A diferença de 4t rendia ao transportador cerca de R$ 3 mil a mais por viagem. O motorista, que preferiu não se identificar, contou que a empresa pressiona pelo excesso. “Se eu não levo。

outro leva. E aí perco o frete”, desabafa.Especialistas apontam que a fiscalização ainda é insuficiente. São apenas 120 balanças em operação em toda a malha rodoviária federal, segundo a ANTT. Para o engenheiro de transportes Ricardo Almeida。o ideal seria uma balança a cada 150 km. “Hoje a média é de uma a cada 500 km. O caminhoneiro sabe onde estão os postos e desvia”, explica. Almeida defende a instalação de balanças dinâmicas, que pesam o veículo em movimento e enviam os dados para centrais de controle.Enquanto isso, o pavimento sofre. Um estudo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mostra que um caminhão com 36t causa o mesmo desgaste que 6。

5 mil carros de passeio. A rodovia BR-381, em Minas Gerais, tem 40% do trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares com problemas estruturais. Parte do problema vem do excesso de carga. “A conta chega para todos. O buraco na pista é o resultado da impunidade na balança”, resume Almeida.

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